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Adaptação familiar em Portugal - um balanço do início dessa nova jornada

Atualizado: 9 de Mai de 2019

Após passar pelos primeiros - e mais turbulentos meses - vivendo fora do país, listei as principais conquistas e desafios da nossa adaptação familiar em Portugal


Em 12 de dezembro de 2017 a gente desembarcava em Portugal para o início de uma nova vida. Na bagagem, muitas incertezas mas uma enorme vontade de fazer dar certo. Hoje, exatos seis meses depois, as coisas já começam a se assentar e consigo vislumbrar com clareza as conquistas que tivemos e os desafios que ainda nos esperam. A adaptação familiar em Portugal é cheia de surpresas, mas você pode se preparar para minimizá-las.

Passeio da família Portuguiando no Parque da Lavandeira, em Vila Nova de Gaia, em abril de 2018

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Nesse período, conseguimos nos estabelecer em uma vizinhança agradável, nosso filho entrou no infantário e já está bem adaptado e estamos caminhando com o planejamento profissional que havíamos programado em relação à adaptação familiar em Portugal.


Ainda nos falta muito pra chegarmos onde queremos, principalmente no quesito de fazer novas amizades - algo que sempre foram muito importantes para nós -, mas por aqui a gente aprendeu a dar um passo de cada vez.


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Veja as conquistas e desafios da adaptação familiar em Portugal


As conquistas

Tempo para as coisas se ajustarem

Se você está se preparando para mudar de país, tenha a certeza de uma coisa: os primeiros meses serão os mais difíceis! Qualquer tipo de adaptação na vida leva seu tempo e neste caso não é diferente.


Depois de dois ou três meses se acostumando à nova rotina, as coisas tendem a entrar nos trilhos e você começa a se sentir mais confortável e dominar sua nova realidade. 


Se isso não acontecer, se tudo só for piorando com o passar do tempo, talvez seja o momento de reavaliar as suas escolhas aqui. Uma mudança de rumo pode ser o que você precisa pra que não acabe se arrependendo de ter tomado a decisão de sair do país. 



Gatilhos para driblar a saudade

Sem dúvida nenhuma a saudade tem sido o maior de todos os desafios. Saudades da família, das conversas com amigos, da rotina que não existe mais, do clima, da comida, de se sentir em casa... 


Você terá dias mais fáceis e outros mais difíceis. Há dias em que você terá que segurar a barra do marido ou dos filhos e dias em que serão eles a te apoiar. E também vai ter aquele em que vocês vão chorar juntos.


Em primeiro lugar, pense sempre em tudo que te motivou a sair do seu país. Isso ajudará a se fortalecer. Depois, busque maneiras de driblar a falta das pessoas e das coisas. Seja vendo os familiares por vídeo, trocando longos áudios com amigos, ouvindo músicas brasileiras ou buscando algum lazer que você costumava ter.


Aos poucos, você começará a se sentir em casa por aqui também. A adaptação familiar em Portugal não é moleza, nem aqui e nem em nenhum outro lugar do mundo. Temos que ser fortes, mas também nos permitir ter dias de fraqueza.



Organizar a vida profissional

Pra quem trabalhou a vida toda, passar um, dois, três meses sem trabalho pode ser enlouquecedor! Na vontade para que as coisas decolem, muitas vezes somos tomados pela ansiedade e desanimo.


Mas uma coisa é certa: se você se planejou financeiramente para segurar a onda por alguns meses e se preparou profissionalmente para chegar aqui com um diferencial que te torne atrativo ao mercado de trabalho, você já tem uma boa vantagem. Por isso, paciência e tranquilidade. 


Não é de um dia para o outro que as coisas vão acontecer. Persevere, tenha confiança no seu potencial e trabalhe duro. Nunca pare de produzir e de movimentar energia para concretizar o que você busca. 


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Os desafios


Se adequar à cultura

Tenho a impressão que esse desafio será longo. Foram muitos anos enraizada em uma cultura e sei que precisarei de muitos outros pra mudar a mentalidade e meu "modus operandi" para certas coisas. Por mais força que a gente faça pra se adaptar - até porque isso é fundamental para o seu sucesso da adaptação familiar em Portugal - não é tarefa fácil!


Abraçar a cultura é importante também para facilitar a adaptação dos seus filhos. Claro que você quer manter viva a cultura da sua pátria, e não há problema nenhum em fazer isso. Mas você também não quer que seu filho cresça como um estranho no país que você escolheu para ele viver.


É ótimo comer aquela feijoada que traz tantas boas memórias no domingo. Mas também é bom aprender a fazer uma açorda de peixe ou uma bifana de porco. É uma delícia falar alto, beijar e abraçar sua família, mas também é válido ser um pouco mais discreto e contido às vezes. Não por vergonha, mas por respeito ao silêncio que eles valorizam muito mais que a gente. Encontrar esse equilíbrio é, por vezes, uma busca interminável!


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Fazer amigos

Essa não tem sido tarefa fácil. Temos conhecido muita gente receptiva e simpática por aqui, mas ainda não encontramos a "nossa tribo". Aqueles casais de amigos com os quais nos reunimos no fim de semana, que os filhos viram amigos, que têm os mesmos interesses que a gente, que o papo encaixa...


Veja bem, o problema somos nós, isso eu sei! Trabalhamos em casa, só nós dois, e quando temos tempo livre acabamos saindo com nosso filho para algum lazer voltado pra ele. Fica difícil criar vínculo com outros adultos assim... mea culpa total!


Enfim, é um fator que pesa. Sempre estive muito cercada por poucos, mas bons, amigos. E espero conseguir quebrar essa barreira, seja com novos amigos brasileiros ou portugueses. Por enquanto, conto mesmo com a visita dos velhos amigos do Brasil. Como é bom tomar um café com um rosto familiar! 


Encarar o preconceito

Nunca tratei desse assunto por aqui por achá-lo muito delicado. Mas, sim, ele existe! O brasileiro carrega um certo estigma - de ser esperto, de querer se dar bem por aqui. As mulheres brasileiras, então, têm um desafio maior ainda.


Até hoje não vivenciamos nenhum caso explícito de preconceito em Portugal. Pelo contrário, fomos muito bem tratados por todos os portugueses que conhecemos. Mas ouvimos deles mesmos que, principalmente as pessoas mais velhas, ainda carregam esse sentimento.


Infelizmente há brasileiros que vêm pra cá querendo se dar bem em cima do português. E, ainda bem!, não conseguem. Geralmente, são os primeiros a voltarem ou a se enquadrarem... Esses tipos são a minoria, claro, mas fazem volume.


O que torna nossa vontade de mudar esse quadro maior ainda! Fazemos questão de combater esse estigma, sendo mais corretos, mais educados, mais pacientes e mais empáticos a cada dia que passamos aqui.


Queremos provar o nosso valor e mostrar para quem nos recebeu tão bem que somos merecedores do carinho e confiança.


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Siga em frente...

Amigos, esses são os principais fatores que me ocorreram que mais pesaram na nossa adaptação familiar em Portugal. Espero que esse texto ajude quem está se programando para a grande mudança.


Aos poucos você verá que os prós são infinitamente mais valiosos que os contras e isso reforçará a certeza da sua decisão. A solidão, a angústia e a falta de identificação vão diminuindo com o tempo. Boa sorte na sua jornada! 


Assista ao vídeo sobre adaptação familiar em Portugal



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Ana Beatriz - jornalista brasileira, 39 anos, mãe do Matheus e do Tomás, esposa do André, que se apaixonou por Portugal e se mudou de mala e cuia com a família para o Porto. 

André - fotógrafo brasileiro, 47 anos, pai do Pedro, do  Gabriel, do Matheus e do Tomás, marido da Bia, que embarcou junto nessa aventura e, assim como os portugueses, não dispensa um café com natas. 

Juntos, gerimos o Portuguiando, a Art22 Media e a André Furtado Photography

Aproveitamos esse espaço para compartilhar impressões, diferenças e similaridades culturais e dicas de turismo para brasileiros que pensam em se mudar para cá ou simplesmente querem conhecer mais sobre Portugal. 

 

Fale conosco: contato.portuguiando@gmail.com

 

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