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Escolas em Portugal: tudo que uma mãe brasileira precisa saber

Atualizado: 4 de Fev de 2019


Quando cheguei em Portugal, em dezembro de 2017, sabia pouco sobre como funcionam a educação e as escolas em Portugal. Não demorou muito para começar a entender e até me surpreender com o que vi. O que vou contar abaixo é a minha experiência pessoal, como mãe de um menino de 2 anos (quando chegamos), com um enteado e dois sobrinhos adolescentes em idade escolar em Vila Nova de Gaia, no Porto.



Escolas em Portugal: tudo que você precisa saber


A primeira coisa que você deve fazer ao chegar com uma criança em idade escolar é buscar o agrupamento escolar da região em que você vai viver. Geralmente ele fica na principal escola pública da freguesia. Ali você receberá direcionamento, descobrirá quais os documentos necessários para a matrícula e poderá fazer a inscrição do seu filho. 

É importante reforçar que as regras podem variar de cidade para cidade e até mesmo de escola para escola. Mas espero que minha experiência ajude a esclarecer alguns pontos sobre a educação em Portugal. 


Tipos de escolas

Há três tipos de escolas em Portugal: a pública, a particular e as particulares que têm coparticipação do governo. Na última, o preço da mensalidade é dividido entre os pais e o governo. Os pais pagam um valor de acordo com seus rendimentos e o valor restante é pago pelo governo.


Por exemplo, se a mensalidade da escola custar 250 euros, pais que declaram rendimentos em torno de mil euros pagarão cerca de 150 euros e os 100 euros restantes serão pagos pelo governo. 

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Ano letivo

As inscrições para o ano letivo, que se inicia em setembro, começam em abril. O ano escolar é divido em três períodos:


- de meados de setembro à meados de dezembro

- do início de janeiro até a semana anterior a Páscoa

- da semana seguinte a Páscoa até meados de junho


Julho e agosto, auge do verão, são meses de férias. Nesse período as creches e pré-escolas costumam levar as crianças para atividades na praia.  Muitas praias ganham cercadinhos em que os alunos passam o dia com os professores e auxiliares de ensino fazendo atividades na areia. 


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Ensino básico

O ensino obrigatório em Portugal é a partir dos 6 anos, no ensino básico, que equivale ao ensino fundamental no Brasil. Isso significa que mesmo que você ainda esteja irregular em Portugal, seu filho terá vaga em alguma escola pública!


Se a mais próxima da sua residência estiver lotada, será em outra freguesia. Mas o fato é que ele não ficará sem estudar. Mas se for menor de 6 anos, você poderá precisar recorrer a uma escola particular ou de coparticipação. 


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Ensino secundário

Já o ensino secundário equivale ao ensino médio do Brasil. Aí o aluno terá que escolher uma vertente: línguas e humanidades ou ciências e tecnologias. Algumas escolas também disponibilizam vertentes de artes visuais, economia e cursos profissionalizantes.


Essa divisão é útil para que o aluno se aprofunde no conteúdo que o interessa, por outro lado, se ele mudar de ideia ao longo da trajetória, ficará mais difícil "pegar o bonde andando" de outra vertente.


A performance do aluno no ensino secundário vai definir para qual faculdade ele irá. Por isso, é comum jovens optarem por repetir o ano letivo, não porque foram mal, mas para melhorar as notas. Quanto melhores as notas, maiores as chances de ele entrar em uma faculdade concorrida.


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Línguas estrangeiras

As aulas de inglês estão no currículo a partir do ensino básico, inclusive nas escolas públicas. Há escolas em que no secundário, quem optar pela vertente de línguas e humanidades terá uma segunda língua estrangeira, que geralmente varia entre espanhol, alemão ou francês. Muitas escolas definem qual será a segunda língua de acordo com a procura dos alunos no ato da inscrição. 


Já em outras escolas, a partir do 7°ano, o aluno pode começar a estudar uma segunda língua. Então, no secundário, ele opta por estudar uma terceira língua ou dar continuidade ao estudo da segunda. Isso realmente varia de acordo com a escola e com a região.


Qualidade de ensino das escolas públicas

As escolas públicas que conheci não deixam nada a dever no quesito infraestrutura e qualidade em relação às escolas particulares. As instalações que vi eram impecáveis. Tudo limpo, arrumado, bem conservado. 


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O ensino, acredito que varie muito de cada instituição. Há rankings na web disponíveis para pesquisa. Mas há um fator específico que me surpreendeu positivamente. As escolas incentivam muito o pensamento crítico dos alunos!


É comum as escolas em Portugal promoverem exercícios de debates, onde o aluno tem que defender uma posição e depois trocar de lado e defender a posição contrária ao que pensa. É o tipo de exercício que estimula a empatia e o questionamento das próprias convicções, algo muito rico e importante para os adolescentes.  


Além isso, as escolas públicas promovem viagens internacionais. Meu sobrinho de 15 anos foi para a Espanha com a escola e minha sobrinha de 17 anos foi para a Inglaterra. São viagens turísticas, pagas pelos pais e acompanhadas por professores, mas que geram uma grande bagagem cultural para esses jovens. 


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Minha experiência com a creche/infantário particular

Busquei muitas escolas públicas para meu filho quando chegamos aqui, mas todas já estavam lotadas. É praticamente impossível conseguir vaga em dezembro, quando chegamos. Por isso, tivemos que colocá-lo em uma escola particular. Optamos por uma no esquema de coparticipação, em um bairro vizinho.


Pesquisamos muitas escolas em Portugal, mais precisamente na cidade em que vivemos. Nos apaixonamos pelas instalações, pela atenção dos funcionários e atividades propostas da maioria delas.  A turma do meu filho tinha 16 alunos, uma professora e uma auxiliar. A mensalidade incluía duas refeições (almoço e lanche da tarde), mas ele podia ficar lá de 7h da manhã até 19h quando quiséssemos, sem alteração no valor da mensalidade. Os pais apenas precisam mandar dois lanchinhos adicionais.


No quesito materiais, só nos pediram uma pasta e um fichário para juntar os trabalhinhos dele. Fora isso você manda fralda e lenços umedecidos, além de um jogo de lençóis que é trocado a cada 15 dias para a hora da soneca. 

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Diferenças marcantes em relação ao Brasil

Percebi algumas diferenças muito marcantes em relação ao que conhecia no Brasil. Na Barra da Tijuca, onde morávamos, as creches costumavam ter uma cuidadora para cada 3 crianças.


Além disso, quando chegou meu filho era a única criança que ainda não comia sozinho. Hoje, percebo que meu pequeno está bem mais independente. Falo isso sem juízo de valores. Não pretendo julgar o que é certo ou errado, melhor ou pior. São constatações que tiro ao vivenciar culturas e hábitos diferentes. 


Também há uma relação diferente entre a escola e os pais. Aqui, a professora ou a auxiliar vão falar com a mãe de igual para igual, vão chamar atenção do seu filho na sua frente, caso seja necessário, e também dizer não para os pais sem medo. Também fruto da cultura portuguesa na qual não há "divisão de castas", como infelizmente ainda há no Brasil.


Nas escolas em Portugal, as relações são igualitárias, logo mais saudáveis para os dois lados. Aliás, já comentei sobre isso em outro post, o que mais me encanta nas escolas públicas daqui é exatamente isso! O filho da médica ou do jogador de futebol recebe a mesma instrução e atenção que o filho o pedreiro ou da balconista. E a mesma coisa se aplica aos pais.  


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Existe bullying em Portugal?

Há bullying aqui, claro. Acho que onde há adolescentes, haverá. Mas há também muitas iniciativas educativas e informação para combater o problema. Já ouvi relatos de mães que dizem que seus filhos sofrem preconceito por serem imigrantes, algo que nos assusta muito!


Nesses casos, precisamos ser fortes e combater. Nunca calar! Ir à escola, falar com a direção. Se chegar ao ponto de haver agressão física e a direção da escola não tomar providências, registre no livro de reclamações da instituição de ensino, acione a comissão de proteção ao menor da sua região (geralmente funciona na câmara da cidade) e faça um boletim de ocorrência e exame de corpo de delito na polícia.


Se o caso for grave, peça um laudo técnico no Instituto Médico Legal e denuncie na Associação de Pais e na Federação Nacional dos Professores. Dessa maneira, o caso vai parar no tribunal é a escola é chamada para se pronunciar.


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Entenda a diferença cultural presente até na educação

Mas há algo que pode causar alguma estranheza aos pais brasileiros. Já ouvi alguns relatos de que há professores, principalmente os mais antigos, que costumam ser mais enérgicos e incisivos, às vezes até grosseiros, com as crianças.


O que pode não incomodar tanto os pais portugueses, pode assustar muitos pais brasileiros. De novo, há uma forte questão cultural envolvida. Logo, se você pretende se mudar para cá e matricular seu filho em uma escola portuguesa, tenha certeza de que ele vai receber um bom ensino sem você precisar desembolsar uma fortuna.


Mas, como sempre, precisamos acompanhar esse início muito atentamente. É importante prestar atenção às diferenças da cultura para facilitar ao máximo a adaptação da criança que já vai estar passando por mudanças significativas na vida e precisa de muito apoio da família para encarar mais essa. 


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Ana Beatriz - jornalista brasileira, 39 anos, mãe do Matheus e do Tomás, esposa do André, que se apaixonou por Portugal e se mudou de mala e cuia com a família para o Porto. 

André - fotógrafo brasileiro, 47 anos, pai do Pedro, do  Gabriel, do Matheus e do Tomás, marido da Bia, que embarcou junto nessa aventura e, assim como os portugueses, não dispensa um café com natas. 

Juntos, gerimos o Portuguiando, a Art22 Media e a André Furtado Photography

Aproveitamos esse espaço para compartilhar impressões, diferenças e similaridades culturais e dicas de turismo para brasileiros que pensam em se mudar para cá ou simplesmente querem conhecer mais sobre Portugal. 

 

Fale conosco: contato.portuguiando@gmail.com

 

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