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Morar fora do Brasil - veja os motivos que me levaram a fazer essa escolha

Atualizado: 9 de Mai de 2019

Todo migrante tem algumas razões determinantes que o levam a deixar seu país de origem. Vem conhecer as minhas razões para decidir morar fora do Brasil!


Tomar a decisão de sair do seu país não é algo simples. Na maioria da vezes, a vontade nasce tímida e vai crescendo de acordo com o desenrolar das coisas. Mas quase sempre tem aquele momento do estalo: "É isso! Chegou a hora de ir embora."




Para mim a decisão veio acompanhada por um misto de ânimo e tristeza, pois até 2016, nunca havia cogitado deixar o Brasil, nem mesmo sair do Rio de Janeiro, cidade que me acolheu quando criança com tanto carinho.

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Nesse post eu conto um pouco sobre os motivos que me levaram a tomar essa decisão. Confira!


Morar fora do Brasil - o que motivou minha decisão


- VIOLÊNCIA - para quem está saindo do Rio de Janeiro, esse é o fator recorrente. Era raro esse assunto não surgir em um simples bate-papo com os amigos. E quase sempre ele vinha acompanhado do comentário de alguém: "Tô louco pra ir embora daqui". Por mais que eu tenha escolhido o Rio como meu lar (nasci em São Paulo, mas vivo como carioca desde os 3 anos) e ame muito essa cidade, estava me sentindo extremamente insegura e vulnerável vivendo lá.


Toda semana eu ouvia alguém próximo contar que passou por algum assalto com os filhos, arrastão no caminho para o trabalho, arma na cabeça... Relutei para aceitar que estávamos vivendo uma realidade de guerra. Mas pelo andar da carruagem percebi que a tendência era piorar. A certo ponto eu pensei: em algum momento vai acontecer comigo.


Eu não quis esperar chegar a minha vez ou de alguém da minha família. Quando comecei a pesquisar preço de carro blindado me dei conta do absurdo que isso representava! A cada momento a gente se via gastando mais dinheiro para ter a falsa impressão de estar protegido e isso estava se tornando inaceitável para mim. Foi quando comecei a considerar seriamente a possibilidade de morar fora do Brasil.


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- CUSTO DE VIDA - era caro. Bem caro. Na Barra da Tijuca, onde nós morávamos, mais caro ainda. Uma nota de condomínio, IPTU, IPVA, seguro do carro, gasolina, babá... quando comecei a pesquisar creche para o meu filho quase tive um infarto com o preço das mensalidades. Nenhuma na minha região sairia por menos de 2 mil reais por 8 horas.


Aqui em Portugal, pagamos 150 euros no infantário, com duas refeições incluídas. E se precisar, posso deixá-lo até por até 12 horas sem custo adicional. Isso porque chegamos no meio do ano letivo e não conseguimos vaga em escola pública. 


Preciso ressaltar que fiquei encantada com as escolas públicas que visitei. Instalações impecáveis, funcionários muito educados, aulas de línguas estrangeiras, viagens para outros países para os adolescentes. E o que mais me encanta: o filho da médica ou do jogador de futebol recebe a mesma instrução e atenção que o filho do pedreiro ou da balconista. Essas realidade marca qualquer pessoa que pensa em morar fora do Brasil. Mas isso é assunto para outro post!


O estilo de vida que levávamos nos forçava a cada vez ganhar mais dinheiro para pagar mais contas de necessidades que muitas vezes não queríamos ter. E, honestamente, o título de workaholic nunca serviu pra mim... Adoro trabalhar, mas adoro mais ainda ter tempo para usufruir das coisas que conquistei através do meu trabalho. 


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- QUALIDADE NOS SERVIÇOS - cheguei ao ponto de achar normal tomar cano do eletricista, achava normal também pagar caro por um wi-fi que vivia saindo do ar. Já havia me acostumado a esperar mais de uma hora para ser atendida em uma consulta médica com hora marcada ou comprar uma caixa de morango e notar que os do fundo estavam sempre estragados. Ficava sempre alerta ao entrar em um posto de gasolina para ser mais rápida que o frentista e não deixar que ele lavasse meu carro sem eu ter pedido. 


Pequenas coisas... todo dia... que vão minando sua paciência e transformam você em uma pessoa reclamona ou em uma pessoa totalmente passiva. Quando você toma a decisão de morar fora do Brasil, principalmente na Europa, vê que as pessoas brigam mesmo pelos seus direitos e elas estão muito certas!


Quando eu era mais nova achava que as pessoas que reclamavam seus direitos eram chatas, grosseiras, incômodas. Hoje vejo que essa passividade que se instalou sobre nós custou a qualidade dos serviços que nos são oferecidos. Pagar caro para ter um serviço medíocre ou ser mal atendido é absurdo e nunca consegui me acostumar a isso.


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- CORRUPÇÃO - quanto aos itens anteriores você pode pensar: é só sair do Rio de Janeiro. Em uma cidade menor, tudo isso existe mas em escala menor também. Certamente, se não tivesse condições legais e financeiras de sair do país, essa teria sido a minha escolha. Mas da corrupção não dava pra fugir nem em cidade pequena.


Nosso país tem passado por momentos trevosos na política. Vimos coisas que tiram do sério qualquer cidadão que acredita na democracia e na justiça. Creio, de verdade, que esses momentos vão ajudar a clarear o futuro para as próximas gerações. Mas hoje tá difícil. Quando pensava que em 2018 teriam novas eleições, meu desejo de participar disso era zero. 

Mas não é só a corrupção na política que me assustava. Leandro Karnal costuma dizer que não há políticos corruptos em uma sociedade honesta, já que os políticos refletem o povo. Infelizmente, as pequenas corrupções diárias estão entranhadas na nossa cultura e temos um longo caminho pra mudar isso.


E não digo isso querendo dizer que sou melhor do que ninguém. Pelo contrário, tenho consciência que eu também as praticava. Viver em uma sociedade em que isso não é comum, te faz se adequar na marra. Hoje percebo que a decisão de morar fora do Brasil também foi resultado de uma busca por me tornar uma pessoa melhor. 


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Esses foram os quatro fatores principais que me levaram a bater o martelo sobre morar fora do Brasil. Não escrevi esse texto para denegrir meu país, até porque tudo que listei acima não é novidade pra ninguém.


Sigo com minha pátria natal no coração e hoje busco mostrar para cada português que cruza o meu caminho todas as qualidades do Brasil e, principalmente, do brasileiro.

Quem sabe um dia ainda faça o caminho de volta em definitivo? Não descarto nenhuma possibilidade... Mas, por enquanto, vivo com a saudade e com a esperança de que as coisas mudem para melhor.


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Ana Beatriz - jornalista brasileira, 37 anos, mãe do Matheus, esposa do André, que se apaixonou por Portugal e se mudou de mala e cuia com a família para o Porto. 

André - fotógrafo brasileiro, 45 anos, pai do Pedro, do  Gabriel e do Matheus, marido da Bia, que embarcou junto nessa aventura e, assim como os portugueses, não dispensa um café com natas. 

Juntos, gerimos o Portuguiando e a André Furtado Photography

Aproveitamos esse espaço para compartilhar impressões, diferenças e similaridades culturais e dicas de turismo para brasileiros que pensam em se mudar para cá ou simplesmente querem conhecer mais sobre Portugal. 

 

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